A biologia está presente no nosso dia-a-dia e influencia diretamente as nossas tomadas de decisão, mesmo que não se perceba de imediato. o 12º C vai postar neste blog as descobertas sobre este tema.
quarta-feira, 18 de março de 2015
Ficha de trabalho n°4
Unidade: Património genético
Conteudo/Assunto: E se pudéssemos prodzir todo o sangue de que necessitamos? Hugo Macedo, investigador do Imperial College London desde 2006, completou o seu doutoramento no desenvolvimento de um biorreator para a produção de glóbulos vermelhos em larga escala a partir de células do cordão umbilical. Nestas páginas, conta-nos como deveremos ter, em breve, verdadeiras “fábricas de sangue”.
Resumo: Estima-se que um terço da população mundial necessitará de uma transfusão sanguínea pelo menos uma vez durante a sua vida. No entanto, apenas uma em cada 20 pessoas doará sangue,dg e este apenas poderá ser conservado por um período máximo de 42 dias. Esta situação coloca uma elevada pressão no sistema mundial de saúde, que tem de encontrar dadores suficientes para as cerca de 90 milhões de unidades que são usadas todos os anos no planeta, um número com tendência para aumentar acentuadamente.
A primeira transfusão sanguínea conhecida num ser humano foi realizada em 1667, em Paris, pelo médico Jean-Baptiste Denis, que trabalhava para o rei Luís XIV de França, e pelo cirurgião Paul Emmerez. Os dois clínicos trataram assim uma jovem.paciente que sofria de sintomas anémicos, a qual melhorou bastante depois de ter recebido sangue de cordeiro. Em 1825, James Blundell, um obstetra de Londres, executou a primeira transfusão sanguínea homóloga, numa senhora que sofria de hemorragia pós-parto e cujo marido doou o sangue.
Estes pioneiros das transfusões debatiam-se com alguns resultados inesperados, os quais, quase sempre, culminavam na morte do paciente. Sabemos, hoje, que isso se devia à incompatibilidade de tipos de sangue, mas durante muito tempo este conceito foi desconhecido da comunidade científica. Por essa razão, as transfusões sanguíneas só passaram a ser prática corrente no século XX, depois da identificação dos diversos tipos sanguíneos em 1900 por Karl Landsteiner, um proeminente médico de Viena. Para estabelecer um banco de sangue que pudesse salvar vidas, a Cruz Vermelha britânica criou em 1921 o primeiro serviço voluntário de dadores; os seus membros foram os primeiros a dar o exemplo.
Circulação vital
Os glóbulos vermelhos, ou hemácias, compõem 95 por cento da população celular do sangue, um tecido vital para o nosso corpo: transportam oxigénio para as células e removem o dióxido de carbono que estas produzem como parte do seu metabolismo. As hemácias são também as células mais usadas em terapia clínica, com 325 mil unidades consumidas anualmente em Portugal, o que representa um custo aproximado para o SNS de 55 milhões de euros.
Na realidade, 38% do sangue recolhido pelo Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla inglesa) é usado em medicina geral, principalmente em cirurgias, enquanto um único transplante de medula óssea (por exemplo, em pacientes com leucemia) pode exigir plaquetas de mais de cem dadores e glóbulos vermelhos de outros vinte.
Apesar de todas estas necessidades, a única solução para obter tanto sangue continua a ser a doação por indivíduos saudáveis. As preo cupações relacionadas com a segurança, a disponibilidade imediata e as reservas disponíveis para evitar que se adiem cirurgias ou tratamentos clínicos vitais estão constantemente nas notícias. A transfusão sanguínea salva vidas e melhora a qualidade de vida; no entanto, milhões de pacientes em todo o mundo não têm acesso a um banco de sangue.
De acordo com o programa da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre Segurança em Transfusões Sanguíneas, houve em 2007 85,4 milhões de doações de sangue nos 162 países que participaram no estudo, representando um total de 5,9 mil milhões de pessoas, ou 92% da população mundial. Metade de todo o sangue recolhido provém dos países industrializados, que no entanto apenas consomem 16% das reservas. Ainda assim, a quebra nas reservas não é um problema apenas nos países em desenvolvimento: em 2002, 7% das cirurgias marcadas nos Estados Unidos foram adiadas devido à falta de sangue disponível.
Por isso, é literalmente vital encontrar uma alternativa às doações sanguíneas, para fornecer uma fonte segura e contínua de componentes sanguíneos em geral, e de glóbulos vermelhos em particular, o que traria uma considerável melhoria na qualidade de vida de toda a população humana.
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