Unidade de Ensino: Produção de alimentos e Sustentabilidade
Assunto:É possível garantir a qualidade dos produtos e a segurança alimentar num mundo que enfrenta alterações climáticas? Segundo Ana Allende, especialista em Microbiologia Alimentar, “os problemas de saúde relacionados com o consumo de vegetais afetam cada vez mais pessoas e provocam mais hospitalizações.”
Fonte: Euronews, Novembro de 2014
Se o clima mudar o que acontece aos legumes que comemos?
É possível garantir a qualidade dos produtos e a segurança alimentar num mundo que enfrenta alterações climáticas? Segundo Ana Allende, especialista em Microbiologia Alimentar, “os problemas de saúderelacionados com o consumo de vegetais afetam cada vez mais pessoas e provocam mais hospitalizações.”
É precisamente para tentar minimizar estes riscos que um grupo de investigadores europeus trabalha em sítios pouco usuais, como numa unidade de processamento de saladas em Bremen, na Alemanha. Cerca de cem toneladas de vegetais são processadas semanalmente nesta fábrica. O produto mais utilizado é, sem dúvida, a alface. Um dos grandes desafios desta indústria consiste nos métodos de conservação.
“Nós trabalhamos com um sistema a frio, para manter a salada a uma temperatura estável e evitar que se dilate ou encolha. É assim que conseguimos garantir um produto fresco ao cliente. Mas a questão é que o tempo de validade é reduzido – de 3 a 5 dias, dependendo dos produtos. Gostávamos de poder alargar esse prazo. É importante que a salada, por exemplo, mantenha uma consistência rígida. O mesmo com as cenouras – não queremos que fiquem flácidas e que percam o sabor”, afirma o responsável, Benjamin Heinemann.
Há um projeto científico europeu que se debruça exatamente sobre as condições de acondicionamento dos vegetais, de forma a aumentar a frescura dos produtos e a segurança. O primeiro passo assenta na análise do aspeto, da textura, do sabor – claro -, e do cheiro. Todos estes fatores variam de acordo com o tempo decorrido após o processamento, o tipo de embalagem ou os compostos de conservação. Imke Matullat, nutricionista, explica que “o trabalho de investigação demonstrou que não é só o período de conservação que é importante, mas também a temperatura do local onde o produto é guardado, a humidade, se há mudanças naquela atmosfera, se a salada por exemplo está fechada em vácuo… Tudo isto tem um papel nos parâmetros de avaliação como a aparência, a textura e o cheiro.”
As análises microbiológicas e bioquímicas permitem aos investigadores apurar precisamente como atuam os microorganismos e que consequências produzem quando os vegetais já estão fora de prazo. Os dados que têm sido recolhidos estão a ser compilados num software online que permite construir estimativas sobre os efeitos de cada etapa, da recolha ao processamento, na qualidade e segurança dos legumes frescos. Alexander Ellebrecht, engenheiro, realça que se está a desenvolver “um software que seja muito acessível, de forma a que as empresas consigam otimizar a atividade através do sistema de antecipação. Não é necessária uma formação específica para utilizar a plataforma, as empresas não vão precisar de grande ajuda para usar este software.”
Continuação em : http://pt.euronews.com/2014/11/17/se-o-clima-mudar-o-que-acontece-aos-legumes-que-comemos/
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