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Ficha de
leitura nº: 1
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Unidade de
ensino: Imunidade e controlo de doenças
· Conteúdo/Assunto: Isolar e
a analisar a genética intracelular de células tumorais vivas em circulação.
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Resumo: Esta nova técnica permite detectar células
cancerosas que circulam no fluxo sanguíneo, podendo
assim destruir estas células antes de elas se instalarem noutros órgãos e
formarem metástases.
Nova
técnica permite detectar células cancerosas a circular no sangue
Pela primeira vez, foi possível
detectar e isolar, no fluxo sanguíneo, células susceptíveis de criar metástases
e espalhar um cancro. Isto poderá permitir avaliar a agressividade dos cancros
de forma precoce.
Os "nano-clarões" iluminam as células
cancerosas da mama (à esquerda), mas não as células saudáveis (à direita) CORTESIA DE CHAD MIRKIN ET AL.
Uma
equipa de cientistas nos Estados Unidos demonstrou que é possível, graças a
pequenos bocados específicos de ADN espetados à superfície de diminutas
bolinhas de ouro, detectar no sangue humano células cancerosas que estão à
deslocar-se à procura de novos sítios do corpo para invadir. A inédita técnica,
que poderá permitir destruir estas células antes de elas se instalarem noutros
órgãos e formarem metástases, foi descrita recentemente na revista Proceedings of the National Academy
of Sciences (PNAS).
Quando um cancro forma
metástases, o prognóstico para o doente não é bom; já pode ser tarde demais.
Ora, até aqui, não era possível apanhar as células cancerosas circulantes
directamente no sangue, antes de elas colonizarem novos tecidos.
Agora,
Chad Mirkin, da Universidade Northwestern (EUA), e colegas, conseguiram
literalmente fazer brilhar essas células iluminando-as do interior por uma
salva de microscópicos very-light. Os cientistas deram à sua invenção o nome de
NanoFlares (nano-clarões) e mostraram, em várias condições experimentais, que
eles permitem não só detectar individualmente as células cancerosas na
circulação sanguínea, como também isolá-las. E que, como não matam estas
células, permitem ainda cultivá-las no laboratório para testar a eficácia de
diversos fármacos anti-cancro.
“Tanto
quanto sabemos, esta é a primeira abordagem baseada na genética que permite ao
mesmo tempo o isolamento e a análise genética intracelular de células tumorais
vivas em circulação”, escrevem os
autores na PNAS.
A
bolinha de ouro que forma o núcleo dos NanoFlares, com apenas 13 nanómetros
(milionésimo de milímetro) de diâmetro, está coberta por uma camada de pequenas
sequências de ADN (em hélice simples) capazes de reconhecer e de se ligar
a genes específicos das células cancerosas. Por sua vez, essas sequências de
ADN estão "acopladas" a bocadinhos de ADN que contêm o clarão
propriamente dito (uma molécula fluorescente).
Inicialmente,
a fluorescência do clarão é abafada pela proximidade do ouro, explicam ainda os
cientistas no seu artigo. Mas o que acontece é que os NanoFlares penetram, não
se sabe bem como, no interior das células. E se vierem a dar com o material
genético específico do cancro que são capazes de reconhecer, ligam-se a ele,
libertando o bocadinho que contém o clarão. Ao afastar-se da bolinha de ouro
central, o clarão vai assim iluminar o interior da célula em causa, marcando-a
como cancerosa.
“O
NanoFlare acende uma luz dentro das células cancerosas que procuramos”, diz o
co-autor Shad Thaxton em comunicado de Universidade Northwestern. “E o facto de
os NanoFlares serem eficazes na complexa matriz do sangue humano constitui um
enorme avanço técnico. Conseguimos encontrar pequenos números de células
cancerosas no sangue, o que é mesmo como procurar uma agulha num palheiro.”
Tratamentos à medida?
Os cientistas construíram quatro tipos de NanoFlares, cada um dirigido contra um alvo genético conhecido por estar associado a cancros da mama agressivos (isto é, que formam facilmente metástases). Mais precisamente, os NanoFlares são dirigidos contra o “ARN mensageiro” (uma outra forma de material genético) que codifica certas proteínas que se sabe estarem associadas às células dos cancros agressivos da mama.
Os cientistas construíram quatro tipos de NanoFlares, cada um dirigido contra um alvo genético conhecido por estar associado a cancros da mama agressivos (isto é, que formam facilmente metástases). Mais precisamente, os NanoFlares são dirigidos contra o “ARN mensageiro” (uma outra forma de material genético) que codifica certas proteínas que se sabe estarem associadas às células dos cancros agressivos da mama.
E a
seguir mostraram, em particular, que esses NanoFlares eram capazes de detectar
as células cancerosas, com uma taxa de erro inferior a 1%, quando estas
eram misturadas com sangue de dadores humanos saudáveis.
Uma
vez identificadas as células, os cientistas conseguiram separá-las das células
normais e estudá-las em cultura. “Ao contrário de outras técnicas de isolamento
de células cancerosas, baseadas em anticorpos, a exposição das células aos
NanoFlares não resulta na morte celular”, escrevem ainda. Ora, esta ausência de
toxicidade poderá permitir estudar células cancerosas vivas, avaliar o seu
potencial metastático e determinar qual a melhor combinação de fármacos para as
eliminar. “Isto poderia conduzir a terapias personalizadas, nas quais olhamos
para a forma como as células de um dado doente respondem a diversos cocktails terapêuticos”, diz por seu lado
Chad Mirkin.
Os
autores testaram os nano-clarões, com resultados igualmente promissores (embora
com maiores taxas de falsos positivos), em ratinhos que são utilizados como
modelo experimental de cancro da mama humano. E neste momento, explica ainda o
comunicado, estão a tentar ver se a sua nova técnica consegue detectar células
cancerosas directamente no sangue de doentes com cancro da mama.

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