Ficha de leitura nº6
Unidade de ensino: Preservar e recuperar o meio ambiente
Conteúdo/Assunto: Quase dois terços de toda a electricidade consumida em Portugal em 2014 foram produzidos a partir da água, do vento e do sol.
Resumo: O saldo do ano 2014 aponta para 62,7% de electricidade de origem renovável, um valor inédito pelo menos nos últimos 15 anos e possivelmente sem paralelo desde a década de 1960.
Quase dois terços de toda a electricidade consumida em
Portugal em 2014 foram produzidos a partir da água, do vento e do sol. O saldo
do ano aponta para 62,7% de electricidade de origem renovável, um valor inédito
pelo menos nos últimos 15 anos e possivelmente sem paralelo desde a década de
1960.
A maior fatia da
produção eléctrica veio das grandes barragens, que supriram 29,4% do consumo,
segundo as contas da APREN-Associação de Energias Renováveis.
A seguir vêm os
parques eólicos, com 23,7%. Ou seja, hoje em Portugal praticamente uma em cada
quatro lâmpadas eléctricas é acesa com a energia do vento.
A terceira fonte para
a electricidade em 2014 foi o carvão – a antítese das renováveis. Dos
combustíveis utilizados nas centrais térmicas do país, é o mais sujo e o que
mais liberta dióxido de carbono, o principal gás que está a aquecer o planeta.
Mas com o valor do CO2 em baixa no mercado europeu de licenças de emissões, tem
sido o preço do carvão em si – e não a sua factura ambiental – o determinante
para a sua utilização para produzir electricidade em Portugal. Em 2014, a fatia
que lhe coube foi de 22,2%.
O país também
registou uma dependência menor da electricidade importada. Na verdade, Portugal
exportou mais 30% e importou menos 22% de energia eléctrica. O saldo ainda foi
negativo, mas representou apenas 1,8% do consumo total – um terço do valor de
2013.
O valor absoluto do
peso das renováveis é o maior desde pelo menos 1999. António Sá da Costa,
presidente da APREN, refere mesmo que só quando Portugal dependia
essencialmente das barragens, nos anos 1960, é que a proporção de electricidade
renovável terá sido superior.
A meteorologia conta
muito para a produção das renováveis, dada a variação do nível das barragens
ano a ano. Descontado este factor – que é corrigido por um índice de
produtibilidade hidroeléctrica – a parcela das renováveis chegou em 2014 a
55,4%, contra 53,1% em 2013.
A meta do Governo é
que haja 60% de electricidade renovável em 2020. “Só precisamos de crescer 1%
por ano. É possível”, avalia António Sá da Costa. Ainda este ano a barragem do
Baixo Sabor deverá começar a produzir electricidade e há mais projectos em curso.
As eólicas, que
tiveram um crescimento de apenas 0,5% no ano passado, também ainda poderão
subir nos próximos anos. Mas um novo salto grande, como foi dado nos últimos
dez anos, está mais comprometido com a intenção do Governo de não garantir
tarifas especiais para a electricidade produzida pelos parques eólicos.
“Potencial para crescer existe. O problema é como será a remuneração”, resume o
presidente da APREN.
Luana Bento, nº19, 12ºC

Sem comentários:
Enviar um comentário