domingo, 12 de abril de 2015

APAmbiente contra novo aterro com solos contaminados em Estarreja

Ficha de leitura nº10
Unidade de ensino: Produção de alimentos e sustentabilidade
Conteúdo/Assunto: A solução prevista para confinar o passivo ambiental da vala hidráulica de São Filipe foi ´chumbada´.

Resumo: A intervenção do projeto ERASE - Agrupamento para a Regeneração Ambiental dos Solos de Estarreja, formado pelas empresas químicas e a autarquia local, recebeu parecer favorável condicionado a encontrar uma solução alternativa para o destino dos sedimentos contaminados com metais pesados (arsénio, mercúrio) a remover.


 A vala de São Filipe, na freguesia de Beduído, foi usada durante décadas para descargas de efluentes pelo complexo químico de Estarreja, que começou a laborar na década de 50 do século passado.
A Declaração de Impacte Ambiental (DIA) assinada pelo secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos, é contrária à instalação de um aterro na zona, estabelecendo ainda um alargado conjunto de condições, incluindo medidas de minimização e programas de monitorização a seguir antes, durante e depois da obra de descontaminação que os promotores desejam apresentar aos próximos fundos comunitários.

 A Agência Portuguesa do Ambiente (APAmbiente), enquanto entidade licenciadora, considerou como "solução técnica e ambientalmente mais correta" o envio dos solos contaminados para um Centro Integrado de Recuperação, Valorização e Eliminação de Resíduos Perigosos (CIRVER), sem prejuízo de ter considerado que a construção de um aterro para resíduos perigosos "era também uma solução ambiental e legalmente viável".

 Na DIA, é dito que "não se encontra adequadamente fundamentado" pelo projeto ERASE "o abandono" da solução de enviar os solos contaminados para aquelas entidades e o seu tratamento prévio à deposição em aterro, se necessário, devidamente autorizada.

 A alternativa ao aterro permitiria, além do mais, "a remoção da fonte de risco principal e a redução efetiva dos riscos residuais para os seres humanos, flora ou para o regime hídrico local".


Impactes positivos

» Diminuição do risco de exposição para os utilizadores dos terrenos adjacentes à vala de São Filipe;
» Qualidade da água superficial e subterrânea (por redução da fonte de contaminação) minimizando eventuais impactes ao nível da saúde humana e dos ecossistemas presentes;
» Em termos socioeconómicos, decorrente da redução de riscos para a saúde pública;
» Produtividade agrícola, decorrente da melhoria da qualidade dos solos e das suas condições de drenagem.




Luana Bento, nº19, 12ºC

Sintomas do Parkinson regridem com minuciosa cirurgia de estimulação cerebral

Ficha de leitura nº9
Unidade de ensino: Imunidade e controlo de doenças
Conteúdo/Assunto: Minuciosa cirurgia de estimulação cerebral pode fazer com que os sintomas dos doentes de Parkinson voltem cinco ou dez anos atrás no tempo, reduzindo também a medicação da qual estão dependentes.

Resumo: Cirurgia com uma duração de cerca de dez horas que consiste na implantação de elétrodos que, através de um gerador, modelam o funcionamento anormal que "o cérebro está a ter" no ponto onde os estimuladores foram colocados. A cirurgia é normalmente feita a doentes com estádios avançados da doença, mas que tenham uma boa resposta à levodopa, fármaco que substitui o défice de dopamina, um neurotransmissor que deixa de ser fabricado em doentes de Parkinson. Através de um minucioso procedimento, vários pacientes poderão recuperar alguma qualidade de vida perdida devido a doença.





 Coimbra, 10 abr (Lusa) - Dois pequenos elétrodos, de 1,4 milímetros, colocados a oito centímetros da superfície do crânio, devolvem qualidade de vida a doentes com Parkinson, retirando-os da "prisão" dos movimentos involuntários, músculos rígidos e elevadas dosagens de medicação.
 A cirurgia de estimulação cerebral profunda, realizada desde 2002 em Portugal, é como alargar um fato que está apertado. Segundo o neurocirurgião do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) Manuel Rito, este procedimento pode fazer com que os sintomas dos doentes de Parkinson voltem cinco ou dez anos atrás no tempo, reduzindo também a medicação da qual estão dependentes. A agência Lusa foi acompanhar a intervenção a uma doente com 63 anos, 12 dos quais de evolução da doença de Parkinson. "Num dia inteiro, apenas durante meia hora" é que não apresenta qualquer discinesia (movimentos involuntários do corpo - efeitos secundários dos medicamentos), utilizando medicação de duas em duas horas, explicou Fradique Moreira, neurologista do CHUC.
 Apesar de a doença ser progressiva e não se poder travar o seu curso, a paciente, com esta cirurgia, pode voltar a dosagens de medicação mais baixas e a reduzir os sintomas motores. O procedimento, com uma duração de cerca de dez horas, consiste na implantação de elétrodos que, através de um gerador, modelam o funcionamento anormal que "o cérebro está a ter" no ponto onde os estimuladores foram colocados, avançou Manuel Rito.
 A cirurgia é normalmente feita a doentes com estádios avançados da doença, mas que tenham uma boa resposta à levodopa, fármaco que substitui o défice de dopamina, um neurotransmissor que deixa de ser fabricado em doentes de Parkinson.
 Antes da implantação dos elétrodos, tem de ser realizada uma TAC e uma ressonância magnética, que permite uma imagem tridimensional do cérebro da doente - uma espécie de "GPS", simplifica Manuel Rito, que possibilita depois estudar o percurso da agulha que leva os elétrodos até ao local onde vão ser colocados.
 Num trabalho de precisão à frente do computador, de tentativa e erro, evitam-se veias e artérias e desenha-se uma "estrada" em linha reta que "seja segura". "Os erros não podem ultrapassar um milímetro", alerta Manuel Rito. Toda a intervenção é feita com minúcia.
 Com o percurso definido através do recurso ao digital, há que apontar as coordenadas e ângulo determinados pelo computador e garantir essa mesma posição na cabeça da doente que, apesar permanecer de olhos fechados no momento da intervenção, não está imóvel. A anestesia nesta parte do procedimento é apenas local: tem de haver resposta da paciente para se perceber "a eficácia do tratamento", sublinha o neurocirurgião.
 O objetivo é restituir os doentes à vida profissional, mas em Portugal "muitas vezes estes doentes estão num estadio de não atividade", havendo, no entanto, "uma melhoria significativa" nas atividades domésticas diárias, sublinha a neurologista Cristina Januário.
 Apesar de o procedimento ser "muito dispendioso" - cerca de 25 mil euros - "ao fim de cinco anos, com a redução de fármacos que têm que tomar e com a redução dos cuidados de saúde adicionais, acaba por ser mais vantajoso economicamente", frisa.
 Por ano, são realizadas em Portugal cerca de 65 cirurgias em pessoas com doença de Parkinson, que conta com um Dia Mundial a 11 de abril, sábado, data de nascimento do médico James Parkinson, o primeiro a descrever a doença que afetaa 13 mil pessoas no país.
Luana Bento, nº19, 12ºC

Vacina personalizada – a nova arma de combate ao cancro

Ficha de leitura nº8
Unidade de ensino: Imunidade e controlo de doenças
Conteúdo/AssuntoUma vacina que ataca os tumores de forma personalizada teve resultados promissores em três pacientes diagnosticados com melanoma.

Resumo: Três pacientes diagnosticados com melanoma foram submetidos a um tratamento com uma vacina inovadora e, equipa de especialistas americanos revelam que os pacientes voluntários apresentaram uma boa resposta imune, capaz de combater a doença.







Uma vacina que ataca os tumores de forma personalizada teve resultados promissores em três pacientes diagnosticados com melanoma, avança um estudo americano.
Três pacientes diagnosticados com melanoma, a forma mais agressiva de cancro da pele, reagiram de forma muito positiva a uma vacina personalizada que ataca os tumores (nova técnica de imunoterapia). Os resultados dos testes, realizados por uma equipa de especialistas americanos – e publicados numa edição especial da revista Science, que dedica cinco análises aos avanços da imunoterapia –, revelam que os voluntários apresentaram uma boa resposta imune, capaz de combater a doença.
Os investigadores da Universidade Washington, em Saint Louis, nos EUA, compararam o genoma dos tumores de cada paciente com a carga genética do tecido saudável no sentido de identificar as proteínas mutantes do tumor (denominadas neo antígenos). Os cientistas descobriram quais poderiam ter respostas mais fortes por parte do sistema imunológico e, a partir daí, fabricaram vacinas para cada indivíduo. No mês a seguir, os exames de sangue mostraram que o sistema imunológico dos pacientes estava a responder de forma ativa às mutações.
Com esta investigação, os cientistas conseguiram, através da nova técnica, produzir vacinas personalizadas, abordagem que pode vir a dar frutos. Por enquanto, os especialistas ressalvam que é cedo para afirmar se funciona para combater o cancro. E já estão agendados para este ano estudos com um maior número de participantes.
A imunoterapia tem por missão estimular o sistema imunológico do paciente no sentido de promover a cura. Técnica conhecida há mais de cinco décadas, foi classificada como Avanço do Ano pela Science em 2013, ano em que os resultados começaram a ter maior relevo. Os estudos realizados nos últimos tempos mostram que o tratamento é capaz de fazer com que pacientes em estágio avançado da doença tenham uma maior taxa de sobrevivência. E até há casos de doentes que ficaram livres dos tumores. O melanoma é o que melhor reage à terapia, mas esta também tem tido resultados no cancro da próstata, do pulmão, rim, bexiga, pescoço e ovários.
A edição especial da Science destaca o desenvolvimento científico da imunoterapia e analisa o que ainda tem de ser feito para que esta evolua. A publicação descreve recuperações “espantosas” e as diferentes técnicas de imunoterapia, como a dos cientistas americanos, além de que avança o que ainda há a fazer neste campo no sentido de o tratamento se tornar numa forma de combate eficaz ao cancro.
Luana Bento, nº19, 12ºC

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Pobreza pode prejudicar desenvolvimento cerebral das crianças

Ficha de leitura nr: 9
Unidade de ensino: Imunidade e controlo de doenças

Conteúdo/Assunto: Um estudo revela uma forte associação entre a renda e a educação dos familiares e o desenvolvimento cerebral das crianças. 
Resumo: Filhos de pais mais ricos e mais instruídos têm cérebros maiores e mais habilidades cognitivas do que crianças mais pobres.

Pobreza pode prejudicar desenvolvimento cerebral das crianças, diz estudo


As regiões mais afetadas seriam aquelas que apoiam a linguagem, leitura, memória, tomada de decisões e habilidades espaciais.






Pais, filhos e educaçãoUm estudo publicado no periódico Nature Neuroscience nesta segunda-feira revela uma forte associação entre a renda e a educação dos familiares e o desenvolvimento cerebral das crianças. De acordo com os resultados, filhos de pais mais ricos e mais instruídos têm cérebros maiores e mais habilidades cognitivas do que crianças mais pobres.

Pesquisadores de nove universidades americanas estudaram 1 100 pessoas com idades entre três e vinte anos. Os resultados atestam uma forte correlação entre a renda familiar e o tamanho da área cerebral responsável pelo aprendizado. Para chegar a esse resultado, os cientistas analisaram ressonâncias magnéticas do cérebro e resultados de testes cognitivos dos participantes e relacionaram esses exames a sua situação económico.

Desenvolvimento cerebral - A ressonância mostrou que o cérebro das crianças cujas famílias tinham uma renda menor que 25.000 dólares por ano é cerca de 6% menor, em área da superfície, do que de crianças cujas famílias têm uma renda anual de 150.000 dólares. As regiões mais afetadas foram aquelas responsáveis pela linguagem, leitura, memória, tomada de decisões e habilidades espaciais.

Após eliminar fatores como estrutura do cérebro e ascendência genética, os cientistas atribuíram essa diferença no tamanho da superfície cerebral a fatores diretamente influenciados pela renda, como melhor alimentação adequada, cuidados com a saúde, qualidade do ambiente escolar e outros fatores externos conhecidos por desempenharem um importante papel no desenvolvimento cerebral.

A boa notícia é que, ao melhorar o ambiente de uma criança de renda mais baixa, pode-se diminuir e até mesmo eliminar essa desvantagem, permitindo que o cérebro se desenvolva plenamente.

Simples soluções como melhor a qualidade da merenda escolar, motivação no ensino e programas comunitários direcionados para as crianças enriquecem o ambiente de desenvolvimento e ajudam as conexões cerebrais.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/pobreza-pode-prejudicar-desenvolvimento-cerebral-das-criancas-diz-estudo




Tabaco e álcool, os maiores agressores da voz

Ficha de leitura nr: 8
Unidade de ensino: Imunidade e controlo de doenças.
Conteúdo/Assunto: Substâncias que mais agridem a voz.
Resumo: O tabaco e o álcool são as substâncias que mais agridem a voz, levando a uma maior incidência de cancro na laringe.

Tabaco e álcool, os maiores agressores da voz

O tabaco e o álcool são as substâncias que mais agridem a voz, levando a uma maior incidência de cancro na laringe.
Esta doença mata, anualmente, 400 portugueses, o que leva unidades como o Hospital dos Lusíadas a reforçar a sensibilização dos utentes para os riscos associados ao consumo destas duas substâncias.
Dos utentes diagnosticados com cancro da laringe, só 1% indicou não ser fumador.
“O cancro afeta mais os homens, com idade entre os 60 e os 70 anos, embora apareça em todas as gerações depois dos 30. Por isso, os homens que são fumadores há muitos anos e também consomem álcool devem procurar fazer o rastreio", alertou em comunicado, o coordenador da Unidade de Otorrinolaringologia do Hospital Lusíadas Porto, António Sousa Vieira.
O especialista aconselha, por isso, os fumadores de longa data a ficarem atentos a “situações prolongadas de alteração na sua voz, como rouquidão permanente por mais de três semanas, pois pode indiciar um tumor maligno nas cordas vocais”.
Beber água com regularidade, evitar consumos excessivos de álcool e tabaco e evitar comer antes de deitar (sobretudo leite e derivados) são alguns dos conselhos dados a quem usa a voz em contexto profissional.
Fonte: http://www.msn.com/pt-pt/saude/medico/tabaco-e-%C3%A1lcool-os-maiores-agressores-da-voz/ar-AAaxUky?ocid=mailsignoutmd

Menino britânico é incapaz de sorrir

Ficha de leitura nr: 7
Unidade de ensino: Imunidade e controlo de doenças
Conteúdo/Assunto: A doença rara que afeta a capacidade de falar, sorrir e piscar os olhos.
Resumo: Um menino britânico não consegue sorrir nem piscar os olhos, por causa de uma doença que paralisa os músculos faciais, a síndrome de Moebius.


Menino britânico é incapaz de sorrir

Um menino britânico não consegue sorrir nem piscar os olhos, por causa de uma doença que paralisa os músculos faciais, a síndrome de Moebius.

Menino britânico é incapaz de sorrir
FOTO DR
Isaac Hughes era incapaz de andar até aos três anos
A doença rara que afeta o pequeno Isaac Hughes, de cinco anos, diagnosticada aos oito meses, afeta também a sua capacidade de falar. Este menino é uma das 200 pessoas no Reino Unido que sofre da síndrome.

"A doença afeta a capacidade de falar e de sorrir do Isaac e isto provoca problemas consideráveis, apesar de ele ser uma criança feliz, com forte espírito, tenaz. Nada o impede de contar uma história, mesmo que ele não consiga dizer as palavras corretas.", conta a mãe de Isaac, Ceridwen, citada pelo "MailOnline". "Pode ser bastante frustrante e todos os dias enfrentam-se diferentes desafios", acrescenta.

O menino de Mold, País de Gales, até aos três anos não conseguia andar. Os pais, Ceridwen e Philip, e o tio, David Baynton-Power, estão a tentar angariar 250 mil libras (cerca de 287 mil euros) para um fundo de pesquisa sobre a doença que afeta Isaac.

Segundo a mãe da criança, a doença não tem cura e ainda nenhuma pesquisa foi feita para identificar a causa, por isso não há forma de prevenir a síndrome de afetar outras pessoas.

A síndrome de Moebius pode também provocar problemas na audição e sensibilidade nos olhos, devido à incapacidade de piscar os olhos. Alguns bebés com a doença podem ainda nascer sem membros.
A origem do nome da síndrome de Moebius vem do neurologista alemão, Paul Julius Möbius, o primeiro a descrever a doença, em 1888.

Fonte: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/MundoInsolito/Interior.aspx?content_id=3034117
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terça-feira, 7 de abril de 2015

Lisboa é das cidades europeias menos empenhada na melhoria da qualidade do ar


Ficha de leitura nº9

Unidade de ensino: Preservar e recuperar o meio ambiente 


Conteúdo/Assunto: Zurique, Copenhaga e Viena ocupam o pódio do ranking Sootfree Cities, divulgado nesta terça-feira em Bruxelas. Pior do que Lisboa só o Luxemburgo.


Lisboa é das cidades europeias menos empenhada na melhoria da qualidade do ar


Foram tomadas algumas medidas para a promoção do transporte público mas a percentagem de uso do automóvel individual ainda é grande, notam as organizações que elaboraram o ranking

Lisboa surge em penúltimo lugar no ranking das cidades europeias mais empenhadas em melhorar a qualidade do ar, divulgado nesta terça-feira em Bruxelas. Apesar dos esforços para diminuir a poluição atmosférica, como a criação da Zona de Emissões Reduzidas (ZER), a capital portuguesa ainda está aquém do exigido pela legislação europeia no que toca à promoção do transporte público e à renovação da frota municipal.

A lista, elaborada pelas organizações não-governamentais Amigos da Terra/Alemanha (BUND) e Secretariado Europeu para o Ambiente (EEB), resulta da avaliação de desempenho de 23 cidades, de 16 países europeus, ao longo dos últimos cinco anos. O ranking Sootfree Cities, cuja primeira edição foi lançada em 2011, considera nove categorias de critérios relacionados com os transportes, como a promoção de modos suaves (pedonais ou cicláveis), a gestão do tráfego urbano, a renovação das frotas públicas ou as tarifas sobre o estacionamento.

Lisboa integra esta lista pela primeira vez e vai directa para a 22.ª posição (pior só mesmo o Luxemburgo), com valores de poluição acima dos permitidos pela União Europeia (UE), “apesar da tendência para diminuição”, notam os autores do ranking em comunicado. A criação da ZER, que proíbe a circulação de veículos anteriores a 1996 e a 2000 (consoante os eixos) no centro da cidade, pecou inicialmente por ter "critérios muito brandos e praticamente sem aplicação", consideram as organizações europeias, assinalando porém uma evolução positiva na terceira fase, em vigor desde 15 de Janeiro deste ano, que reforça e alarga as restrições.

A gestão do estacionamento melhorou com o aumento das tarifas entre 2010 e 2012, e a Câmara de Lisboa tem tomado algumas medidas para promover a bicicleta e os transportes públicos, mas faltam iniciativas mais "ambiciosas" como a renovação da frota municipal, com a aquisição de veículos mais "limpos".

A posição de Lisboa neste ranking não surpreende a Quercus, uma vez que a cidade apresenta "elevados níveis de poluição há vários anos". Mas para Mafalda Sousa, do Grupo de Energia e Alterações Climáticas da associação ambientalista, "mais do que a falta de qualidade do ar, há um problema de mobilidade na cidade", onde existe ainda uma "grande dependência do automóvel" individual. Mafalda Sousa critica a falta de fiscalização no cumprimento da ZER e a "falta de expressão" das medidas municipais para promover a mobilidade sustentável. Além disso, os ambientalistas lamentam a falta de informação sobre a qualidade do ar na cidade, uma falha também apontada pelos autores da lista.

Já este mês a Quercus interpôs uma acção no Tribunal Administrativo de Lisboa, devido ao incumprimento da legislação não só em Lisboa mas também no Porto. Em causa está o atraso na execução dos corredores VAO+BUS+E, para a circulação de veículos com desempenho mais ecológico, nos principais acessos a Lisboa e Porto, previstos nos planos de melhoria da qualidade do ar daquelas cidades.

Zurique, na Suíça, surge em primeiro lugar na tabela por ter atingido valores que ultrapassam os exigidos pela legislação europeia. “O mais interessante é que a política de qualidade do ar é parte de um esforço de planeamento urbano alargado e coerente”, destacam as organizações. A cidade tem boas notas na promoção do transporte público e na redução dos níveis de poluição emitida pelos transportes: por exemplo, a frota municipal tem obrigatoriamente que ser equipada com filtros de partículas poluentes.

Em Zurique, como em Copenhaga (na Dinamarca), segunda na lista, o volume de tráfego dentro da cidade foi reduzido e os veículos mais antigos foram proibidos de circular nas zonas mais centrais. Além disso, houve uma grande aposta nos transportes públicos. Viena e Estocolmo ficaram em terceiro e quarto lugares, enquanto Berlim (a melhor classificada em 2011) desceu para o quinto lugar. No último lugar (23.º) está o Luxemburgo, devido ao peso cada vez maior do automóvel.

A avaliação feita pela BUND e o EEB revela “progressos consideráveis [em comparação com a última edição] na diminuição da poluição do ar por partículas PM10 [com até 10 milésimos de milímetros de diâmetro], tão perigosas para a saúde humana”. Menos animadores são os resultados sobre a redução da emissão de dióxido de azoto, principal poluente libertado pela frota automóvel. "As cidades e as regiões não podem ser deixadas sozinhas no esforço para reduzir a poluição atmosférica", referem as organizações, reconhecendo que a crise económica e as restrições orçamentais com que se debatem os municípios são entraves ao cumprimento da legislação.









Descoberto relógio biológico interno baseado no ADN


Ficha de leitura nº8

Unidade de ensino: Património Genético 

Conteúdo/Assunto: Um cientista da Universidade da Califórnia descobriu um relógio biológico interno baseado no ADN que, ao medir a idade biológica dos tecidos e orgãos, poderá ajudar os investigadores a entender o processo de envelhecimento e desenvolver meios de o abrandar.







Descoberto relógio biológico interno baseado no ADN


Descoberto relógio biológico interno baseado no ADN


Steve Horvath, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, descobriu uma forma de calcular a idade dos órgãos e tecidos do corpo pelo ADN. É um avanço científico que poderá levar ao desenvolvimento de métodos para desacelerar o envelhecimento.
Este "relógio" mostra que, embora muitos tecidos envelheçam como um todo, alguns envelhecem a um ritmo mais rápido, outros mais lentamente. Por exemplo, houve registo de casos de crianças com um tumor cerebral que tinham uma idade biológica de mais de 80 anos.
Horvath concluiu ainda que, no caso das mulheres, os tecidos mamários envelhecem mais rapidamente do que o resto do corpo. Se a mulher desenvolver um cancro da mama, tecidos saudáveis circundantes ao tumor são, em média, 12 anos mais velhos do que o resto do seu corpo.
"Em última análise, esta descoberta será muito interessante para o desenvolvimento de intervenções terapêuticas para repor o relógio e manter-nos jovens", disse Steve Horvath, citado pela edição online do Guardian.
Horvath estudou o ADN de cerca de 8000 amostras.


Afinal, a lepra é causada por duas bactérias


Ficha de leitura nº7

Unidade de ensino: Imunidade e controlo de doenças 


Conteúdo/Assunto: Sete anos depois de uma segunda espécie de bactéria da lepra ter sido isolada num doente mexicano, o seu genoma foi sequenciado. A Mycobacterium lepromatosis separou-se da bactéria mais comum da lepra há quase 14 milhões de anos.





Afinal, a lepra é causada por duas bactérias

Entre 2009 e 2012 houve 31 casos importados de lepra em Portugal


Para uma doença já famosa no tempo de Jesus Cristo, ainda há muitos aspectos desconhecidos sobre a lepra. Até há poucos anos, apenas se conhecia uma bactéria que originava esta doença, o bacilo Mycobacterium leprae. Mas em 2008 encontrou-se um outro bacilo num doente com lepra oriundo do México, o Mycobacterium lepromatosis. Uma equipa de cientistas sequenciou agora o genoma da nova espécie e comparou-o com o da antiga. Os resultados mostram que os dois bacilos são semelhantes, embora se tenham separado na árvore evolutiva há quase 14 milhões de anos, adianta um artigo na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

“Para nosso espanto, descobrimos que, estruturalmente, os dois genomas são muito semelhantes, apesar de terem divergido há muito tempo”, diz ao PÚBLICO Andrej Benjak, investigador da Escola Politécnica Federal de Lausana, na Suíça, e um dos autores do artigo publicado pela equipa liderada por Stewart Cole, que fez a sequenciação do genoma.

Esta informação sobre o genoma é importante. Quando se identifica uma bactéria nova associada a uma doença antiga, é necessário compreender se essa bactéria está, de facto, a originar a mesma doença ou uma doença semelhante. A descodificação do genoma – ao mostrar as características da bactéria, como o tipo de células humanas que é capaz de infectar – ajuda a desvendar esta questão.

No caso da lepra, tudo aponta para ambos os bacilos causarem a doença, explica Andrej Benjak: “As duas espécies não só são semelhantes em relação ao tamanho do genoma, como também têm os mesmos grupos de genes. Isto significa que, provavelmente, a biologia das duas espécies é muito semelhante.”

A lepra é uma doença infecciosa crónica e muito antiga. Terá surgido por volta de 2400 anos a.C., no Médio Oriente. O caso mais antigo de lepra que se conhece é o de um homem que viveu entre 1 e 50 anos d.C., cujo corpo foi encontrado nos arredores da cidade de Jerusalém. Análises ao ADN dos vestígios mostraram que o indivíduo tinha tido lepra. Ao longo dos séculos, a doença espalhou-se pelo mundo, estando associada à pobreza. Os leprosos, devido à sua aparência impressionante e por transmitirem uma doença então incurável, foram muitas vezes isolados e ostracizados.

Em 1873, Gerhard Armauer Hansen, um médico norueguês, identificou o agente patogénico que causa a lepra. A Mycobacterium leprae tornou-se então a primeira bactéria a ser associada a uma doença humana. E a lepra passou a ser também conhecida pela doença de Hansen, em referência ao médico.

Hoje, sabe-se que esta bactéria se multiplica muito lentamente e ataca os nervos periféricos, mais especificamente as células de Schwann. Estas células, que dão apoio ao sistema nervoso, envolvem as células nervosas com camadas de mielina, uma substância rica em gordura que permite a rápida propagação dos impulsos nervosos. Quando atacadas pelas bactérias, as células de Schwann morrem, o sistema nervoso começa a deixar de funcionar e os doentes começam a deixar de ter sensações em determinadas regiões da pele. E o resultado é uma neuropatia periférica. Um dos testes que ajuda a diagnosticar esta doença afere a sensibilidade das pessoas em zonas da pele onde surgem manchas. Mas além da pele, a doença afecta também as mucosas das vias respiratórias superiores e os olhos.

Depois de alguém ficar infectado pela bactéria, pode passar um grande período sem que a doença se manifeste. O período de incubação médio é cerca de cinco anos, mas os sintomas podem demorar 20 anos ou mais a surgir. Quando não é tratada, a doença causa danos permanentes na pele, nos nervos, nas mãos e nos pés e nos olhos, descaracterizando as pessoas, e destruindo os dedos. Os doentes acabam por ficar dependentes de terceiros para fazerem a sua vida diária.

Desde a década de 1960 que há vários antibióticos para tratar a doença. Em 1995, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a distribuir de forma gratuita o tratamento à base de três antibióticos, o que permitiu reduzir muito a prevalência da lepra. Nos últimos 20 anos, 14 milhões de doentes com lepra foram curados. Em muitos países, a lepra foi erradicada – a OMS considera que um país deixa de ter lepra quando há menos de um caso por 10.000 habitantes. Em Portugal, entre 2009 e 2012 houve 31 casos importados de lepra, segundo o relatório Doenças de Declaração Obrigatória 2009-2012, da Direcção Geral da Saúde.

Ainda assim, todos os anos, há mais de 200.000 novos casos a nível mundial. E a doença é um problema em países como Angola, Brasil, República Democrática do Congo, Índia, Indonésia, Madagáscar, Moçambique, Nepal, Nigéria ou Sudão. Só a Índia teve mais de 127.000 novos doentes em 2011.